Nascido na cidade de São João do Araguaia, no Pará, a 725km de Belém, o lateral contou à ESPN em 2016 que trabalhou como servente de pedreiro do próprio pai na construção civil.
"Batia laje, subia telha pra lá, telha pra cá... Era pesado o serviço, foi sofrido (risos)", disse.
Tudo começou a mudar quando olheiros viram talento em Pará e foram pedir a seus pais para levar o garoto a São Paulo, onde faria testes para tentar virar profissional. E assim o adolescente embarcou para a terra desconhecida, em busca de uma grande oportunidade.
"Eu fiquei numa pensão que custava R$ 56 por semana, mas não tinha nem como pagar isso. Não tinha nada pra comer, e passei muita necessidade nesses tempos. Passei fome. Ao mesmo tempo, meus pais me ligavam do Pará e perguntavam como eu estava, e eu respondia: 'Tá tudo bem, tudo sob controle'. Do outro lado, minha barriga roncava (risos). Eu não queria assustá-los, então ficava só enrolando", conta.
Depois de ficar abandonado na capital paulista, sem ter nem ideia do que fazer, o garoto faminto foi socorrido por um amigo, que o levou para o pequeno Barcelona Esportivo Capela, time da zona sul de São Paulo onde Diego Costa, hoje no Chelsea e na seleção espanhola, começou a carreira.
Morando na guarita
"Chegamos no Barcelona e esse amigo explicou minha situação. Falou que eu não conhecia nada em São Paulo, que sonhava em jogar bola e não podia ficar parado na pensão, ainda mais sem dinheiro. Pediu pra eu ficar treinando por lá, e o presidente deixou, pedindo pra eu voltar no dia seguinte pra fazer um teste. Fui treinar e ele ainda me deu o dinheiro pra eu quitar o que estava devendo na pensão", rememora.
Em 2008, transferiu-se para o Santos, time pelo qual seria duas vezes campeão do Paulista, uma da Copa do Brasil e uma da Libertadores, ao lado de Neymar, Ganso e outros. Jogaria ainda no Grêmio por dois anos antes de ir para o Flamengo. Ano passado, ele retornou à Vila Belmiro para tentar fazer história novamente.
"Eu agradeço muito a Deus, à minha família e a todos esses amigos que eu fui fazendo por estarem do meu lado nas horas boas e nas ruins. Sou devoto de Nossa Senhora Aparecida e a única coisa que peço é que nada de ruim aconteça comigo, com meus colegas e meus adversários. Eu lembro sempre de tudo o que passei, e é por isso que procuro dar meu máximo em todo treino e todo jogo", ressalta.



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