domingo, 19 de fevereiro de 2017



Análise: protestos em Santos não podem derrubar convicção de Dorival
Na segunda derrota consecutiva do time no Paulista, torcedores reclamaram da equipe; com tempo para correções, técnico deve insistir em novo esquema



Os jogadores do Santos ouviram a pressão da torcida após a segunda derrota consecutiva, ambas em casa, no Campeonato Paulista. Após a partida contra a Ferroviária (0 a 1) neste sábado (18), torcedores se juntaram próximos ao vestiário alvinegro e protestaram.

Um comportamento que havia muito não era visto na Vila Belmiro. Uma impaciência que ainda não se justifica. Dorival Júnior tenta implantar um esquema diferente em sua equipe, é normal que tropeços aconteçam, e há tempo para correções até a estreia na Libertadores, no dia 9 de março, contra o Sporting Cristal, em Lima.

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Não se espera racionalidade de torcedores. Dorival, porém, não pode deixar os gritos da arquibancada influenciar esse trabalho ainda inicial.

Ricardo Oliveira - Santos  (Foto: Ivan Storti/Santos FC)Ricardo Oliveira voltou ao time, mas teve participação discreta na partida (Foto: Ivan Storti/Santos FC)
O técnico monta sua equipe com apenas um zagueiro de ofício – contra a Ferroviária, foi Cléber. Yuri assume a postura de meio-campista quando a equipe tem a bola e recua para a zaga quando o time perde a posse. Com Victor Ferraz, Zeca e Renato (lesionado, vem sendo substituído por Leandro Donizete) o time costuma ter superioridade numérica e técnica na saída de bola.

Deu certo quando ataque funcionou. Contra Linense e RB Brasil, vitórias por 6 a 2 e 3 a 2. As dificuldades na defesa ficam claras, entretanto. Problemas que ganharam ainda mais destaque na derrota para o São Paulo, no meio de semana, quando o setor ofensivo não correspondeu.

Contra a Ferroviária, Cléber ganhou a vaga de Lucas Veríssimo. Contratado com pompa, o zagueiro teve papel de protagonista no revés desta rodada.

Assim como contra o São Paulo, o ataque – com o reforço de Ricardo Oliveira, mas sem Lucas Lima, com dores – falhou. A Ferroviária armou uma retranca que bloqueou o rival. Quando a bola tocou a rede dos visitantes, a arbitragem errou e marcou impedimento (veja abaixo).




O Santos encurralava o adversário no campo de defesa. Em muitos momentos, apenas Vladimir aparecia no campo de defesa alvinegro. Num deles, na metade do segundo tempo, Cléber foi pressionado à frente da linha do meio-campo por Alan Mineiro, perdeu a bola e teve que fazer falta para evitar que o jogador saísse na cara do gol. Já tinha levado um amarelo, levou o cartão vermelho (veja abaixo).




A expulsão injetou confiança na Ferroviária, que até então só tinha assustado em lance de Elder Santana no início da etapa final. Pouco depois, Leandro Amaro subiu mais do que a defesa do Santos em cobrança de escanteio e marcou o gol da vitória.




Os anfitriões não conseguiram reagir. Bruno Henrique e Thiago Ribeiro entraram, mas nada fizeram para acalmar a torcida.

Há correções a fazer, óbvio. A defesa está desprotegida e o meio ainda não abastece o ataque como deveria – Renato é um personagem que faz falta. Mas Dorival Júnior, que assumiu responsabilidade pela derrota para a Ferroviária, parece convicto de que seu esquema ainda dará frutos. Faz bem em insistir.

O time volta a campo longe de casa, na próxima sexta-feira (21), contra o Ituano, às 21h30, no Novelli Júnior.

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