terça-feira, 25 de julho de 2017


Lado B da Europa e recomeço no Santos B: Matheus Cassini abre o jogo.




25/07/2017 - 08h00
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Dennis Calçada/Santos FC

Ponte Preta, Corinthians, Zapresic, da Croácia, Parlemo e Siracusa, ambos da Itália. Esses foram os clubes pelos quais Matheus Cassini, atualmente no Santos B, passou até seus 21 anos. Ao LANCE!, o meia revelou os bastidores de sua saída do Corinthians, contou como chegou ao Siracusa por conta própria, sobre o arrependimento de ir para o Palermo e da gratidão a Tite e Osmar Loss, técnicos que ajudaram em sua formação.

Revelado na base do Timão, Matheus foi destaque na Copinha de 2015, vencida pelo time do Parque São Jorge, ano em que também foi convidado por Tite a fazer parte do time principal do Corinthians. Tudo parecia certo para o caminho do estrelato. Mas para a surpresa de todos, ele partiu para a Itália de encontro com o nada badalado Palermo, por 1,5 milhão de euros (cerca de R$ 5,1 milhões).

A surpresa não foi apenas para os torcedores, mas também para o jovem, que se define como inocente à época e aceitou a proposta, mas só entendeu a situação em janeiro deste ano, quando retornou ao Brasil.

"Eu descobri tudo que aconteceu quando eu voltei pro Brasil. Quando eu estava no Corinthians eu era muito inocente, não entendia nada de contrato, essas coisas. E quando eu voltei, eu entendi que chegaram propostas para meu empresário e ele não aceitou. E eu não sabia de nada. Estava acabando meu contrato com o empresário e o Corinthians fez uma proposta pra mim, mas para ele (empresário) não era interessante que eu ficasse lá e se ele não me vendesse, ele não teria retorno. Então ele escondeu as propostas que o Corinthians fez, para me vender e ganhar a porcentagem dele, que ele tinha mais do que a metade (da porcentagem), se não me engano. Depois que eu fui para o Palermo me largaram", recordou.

"Me arrependo de ter aceitado ir para o Palermo. Na hora que o pessoal quer ganhar dinheiro, é o "que chore a mãe dos outros, mas não a nossa". É difícil. Tem muita gente mau caráter que gosta de fazer esse tipo de coisa, esse é o mal de futebol. Mas são águas passados, agora estou no Santos, quero ser feliz e tenho certeza que serei", explicou.
Sem empresário, o menino teve que enfrentar os desafios do futebol europeu, tendo que se adaptar à cultura e ao idioma, o que julgou a parte mais difícil. E apesar dos perrengues, Matheus se recordou do dia em que pisou no estádio San Siro e dos ídolos de infância, sendo eles Totti, Gervinho e Felipe Mello, os quais enfrentou no exterior.

O grande problema foi sua saída do Palermo para a Croácia. Matheus estava sendo reconhecido pelo técnico, que dizia que utilizaria o garoto, mas em um certo momento perdeu espaço e passou a treinar separadamente. De repente, o treinador decidiu que ele seria emprestado. E Matheus resumiu:

"E eu não queria ir. Isso aconteceu do nada. Em um dia eu era muito valorizado e no outro eu sairia. Quando eu ligava para as pessoas que cuidavam de mim, ninguém me atendia. E eu tive que ir. Fiquei quatro meses treinando em volta do campo e isso pra mim também não era interessante", disse.

"Foi o diretor técnico do Palermo (que me emprestou), na época da Copinha ele foi ao Brasil, gostou de mim, pediu a contratação e me levou. E foi o mesmo que me emprestou depois. É o futebol, não tem explicação. Só quem passa isso na pele pode falar. A gente fica chateado. Passa muitas coisas na sua cabeça, você questiona seu valor. Há seis meses eu sai do Brasil como uma promessa, hoje estão me jogando pra lá. Tem que ter um psicológico forte, senão você sofre um baque", concluiu.

Matheus jogou no Zapresic, na Croácia e a readaptação foi difícil, quase impossível, segundo ele. Sem conseguir aprender o idioma, ele apostou no inglês e assim sobreviveu até o fim do contrato com o clube.

Ainda sem empresário, o jovem teve que se virar para encontrar um outro time, já que ele não queria seguir com os croatas, que sequer deixaram Matheus fazer a pré-tempora

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