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Leia e entenda tudo o que aconteceu no debate.

Os quatro candidatos à presidência do Santos estiveram frente a frente pela primeira vez nesta segunda-feira (27), no debate realizado pela Santa Cecília TV. O encontro foi marcado por muita polêmica. O mandatário do Peixe para o triênio 2018/2020 será escolhido na eleição que ocorre no próximo dia 9.

No primeiro bloco, os presidenciáveis apresentaram suas considerações iniciais. O primeiro foi Nabil Khaznadar, da chapa O Santos que queremos. Ele disse que propõe "um choque de gestão". Além disso, declarou estar preocupado com o planejamento do time para a temporada que vem. Por isso, pregou: "Queria que todos (os candidatos) sentassem para pensar no técnico para o próximo ano".

Na sequência, José Carlos Peres, que encabeça a chapa Somos Todos Santos, criticou a atual gestão. "O Santos pede socorro. O Santos tem que pensar em sua dívida monstruosa, na transparência, em respeitar seus parceiros, precisa melhorar sua marca. Tenho compromisso público, que é: se eleito, ter um de cada chapa para fazer um Comitê de Gestão forte. Sem união, não teremos um clube grande nos próximos anos. Temos que zerar a dívida".

Depois, foi a vez de Andres Rueda, da Santástica União. "O sócio vai escolher o presidente do Comitê de Gestão, que de forma consensual, deve tomar as decisões — o que muitas vezes, não acontece. Tem que restabelecer o sentido de que o sócio é o verdadeiro dono do clube. Isso vem sendo esquecido".

Em busca da reeleição, Modesto Roma Júnior, da Santos Gigante, afirmou que, em um possível futuro mandato, vai fortalecer o time de futebol. "Temos que montar um time forte. Por que não montou até agora? Montamos. Duas vezes campeão Paulista, vice da Copa do Brasil, vice do Brasileiro e disputamos o vice (do Brasileirão deste ano). Estamos na Libertadores. Pagamos primeiro as dívidas. Passamos três anos, pagando dívidas que nos foram deixadas pela gestão anterior. Agora, é crescer o futebol e termos nossa casa restaurada".

Dívida

No bloco seguinte, os candidatos fizeram perguntas para seus adversários. No início, Nabil perguntou a Modesto sobre a dívida do Alvinegro, que afirmou ter crescido e chegado a cerca de R$ 500 milhões. O atual mandatário foi ao ataque.

"Não é verdade. Só quem não acompanha o clube e não está presente faz afirmação dessa. O Santos reduziu sua dívida para R$ 200 milhões. Isso, você tem que saber. Tudo (negócios e dívida alta) herdamos da gestão que você apoiou (do ex´mandatário Odílio Rodrigues). Fala de dívida, mas não conhece. Não tem números para avaliar".

Na sequência, houve discussão. "No seu primeiro ano, contas reprovadas. Pelo Profut, você não pode se candidatar. Vai tentar eleição nova passando por cima das regras", acusou Nabil. Modesto retrucou. "Temos parecer de auditoria sem ressalva. Não vou discutir. O senhor não conhece a vida do clube".

Esta não foi a única polêmica do bloco. Em determinado momento, Rueda perguntou a Nabil se era correto um empresário de futebol colocar dinheiro nas campanhas. "Isso não pode ser permitido. É absurdo", respondeu Nabil. Comenta-se extraoficialmente Peres é financiado por um agente do ABC Paulista.

Chapa "puro-sangue"

Mais tarde, entraram em cena os vices. São eles: Orlando Rollo (Somos Todos Santos), Fábio Pierry (O Santos que queremos), José Renato Quaresma (Santástica União) e Cesar Conforti (Santos Gigante).

O ponto alto ocorreu após uma resposta de Rollo. Ele teve de falar sobre movimentos que existiram para tentar uma coalizão maior — por pouco, as chapas Somos Todos Santos e Santástica União não se uniram nas últimas semanas.

Ele disse que todos os demais concorrentes de oposição eram bem-vindos, inclusive Nabil e Pierry, desde que não trouxessem pessoas ligadas a Odílio Rodrigues. Ao comentar a declaração, o vice da O Santos que queremos atacou Peres e os demais oposicionistas. "Nossa chapa é verdadeira oposição. Nós não exercemos cargo remunerado ou não remunerado nesta gestão".

Ao longo da administração de Modesto Roma Júnior, José Carlos Peres trabalhou o marketing internacional do clube. Já Rueda e Quaresma foram integrantes do Comitê de Gestão.

Rollo não gostou do que ouviu, inclusive pelo fato de Pierry ter lembrado que ele fez parte do grupo do falecido Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro e Odílio. "A chapa era Laor e Odílio, pela qual você foi eleito (para o conselho deliberativo)", lembrou o vice de Nabil. Rollo tentou cortar o comentário do concorrente, que voltou a falar e defender seu grupo.

"Dois presidentes"

Mais adiante, os presidenciáveis voltaram, e Peres foi questionado sobre sua atuação na gestão de Modesto. Ele explicou que ingressou no clube a pedido do ex-presidente Marcelo Teixeira, que apoia o atual presidente.

Tal explicação rendeu uma cutucada de Nabil. "O Marcelo continua comandando o Santos. Existem, aí, dois presidentes no Santos, digamos assim", disse, afirmando ainda que Peres "sempre diz que se coloca à disposição" do clube, embora sendo pago por seus serviços.

Peres se manifestou. "Na questão do Marcelo, fui indicado. Ele não deu ordem. Fui contratado".

Aí, foi a vez de Peres atacar. Ele disse que Nabil era funcionário de Odílio Rodrigues. Nabil, então, disparou. "Peres falou que Odílio era meu chefe. Nunca fui remunerado no clube".

Respingando no campo

A base também foi assunto no debate. Rueda perguntou a Peres o que ele achava do trabalho do clube nesta área. Na resposta, o sub-23, ou Santos B, se tornou alvo de críticas.

"A base precisa de reformulação, profissionalismo. Ela sempre salva o Santos, que está perdendo seu lugar para outro time da capital, que está revelando mais jogadores. Nossa lenda de que revelamos os melhores está indo embora. Existem revelações que foram abruptamente colocadas no profissional. O sub-23 é depositário de empresários, mas poderia ser usado por nossas revelações".

Na réplica, Rueda falou sobre o superávit anunciado pelo clube de quase R$ 80 milhões no terceiro trimestre deste ano. "(Pensei que) clube estava melhorando um pouco. Aí, sabemos que empresário disse que Ricardo Oliveira está há quatro meses sem direito de imagem. É vergonhoso. É coisa de louco. Superávit e jogadores atrasados de novo? Deixamos de pagar com dinheiros em caixa".

Neste ponto, Peres falou com ironia. "(O Santos) está um país de maravilhas. Não se deve, não se atrasa. E vemos os jogadores com aquele empenho especial. Jogador que não recebe, não joga. Eles devem ter recebido, porque passaram a jogar mais um pouquinho".

Depois disso, os candidatos fizeram suas considerações finais em meio, defendendo suas ideias e distribuindo mais cutucadas.

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