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Cuca mostra que tem o elenco do Santos nas mãos; se a diretoria não atrapalhar...





Técnico muda sistema de jogo e vê Peixe vencer o Vasco com facilidade no Maracanã; lutar contra o rebaixamento vira coisa do passado, e meta agora é vaga na Libertadores de 2019
O Santos conquistou nove pontos nos três confrontos diretos que tinha contra adversários que lutam contra o rebaixamento no

O Campeonato Brasileiro. Os 3 a 0 sobre o Vasco no Maracanã (com três gols de Gabigol) neste sábado se somam aos 3 a 0 que o Peixe já havia metido no Sport e aos 2 a 0 no Bahia, deixando claro para todos que o lugar do Santos não é ali, mas na primeira metade da tábua de classificação do Brasileirão.

Ainda que o Santos possa perder algumas posições neste domingo (dormiu em nono), e que é sempre importante ressaltar o quão ruim foi a atuação do Vasco, a vitória no Maracanã mostrou que:

Cuca tem o elenco nas mãos, já que mexeu no sistema tático da equipe e viu essa alteração dar resultado;
Cuca tem o elenco blindado das bobagens da diretoria;
Cuca pode levar o Santos à Libertadores de 2019 (se a diretoria deixar).
Não é uma tarefa fácil. O noticiário extracampo do Santos parece enredo de série da Netflix (vejam "Club de Cuervos", fica a dica). A notícia mais recente é que o funcionário apontado como bode expiatório pelo erro no "Caso Sánchez" pode ser readmitido esta semana, depois de ter sido demitido na terça-feira, horas depois da punição da Conmebol que resultou na eliminação do Santos na Libertadores. Fica até difícil explicar para quem não acompanha o dia-a-dia do clube.

O presidente do Santos, José Carlos Peres, que corre seríssimo risco de impeachment na semana que vem, não gostou das críticas de Cuca à "falta de profissionalismo" do clube. O treinador minimizou o caso em entrevista neste sábado, no Maracanã. Fez bem. Quanto mais distante ele ficar desse clima de bastidores, melhor para o Santos.

O que o técnico tem feito – e bem – é trabalhar. O Santos não toma gols há cinco jogos e não perde há seis (a exceção foram os três gols marcados pela Conmebol, claro). O time foi eliminado da Copa do Brasil só nos pênaltis (pelo Cruzeiro) e da Libertadores com dois empates em 0 a 0 (o Independiente passou graças à punição do Santos no Caso Sánchez). Em um mês, o Peixe pulou de 17º para a nona colocação. Mais do que isso: o time agora não só mostra padrão como também variação de jogo.

A vitória sobre o Vasco foi construída com o fator surpresa – o técnico adversário, Alberto Valentim, esperava o Santos num 4-3-3 tradicional, mas o time de Cuca entrou num 4-4-2. O pulo do gato foi a escalação de Eduardo Sasha com Gabigol, ambos centralizados.

Na entrevista pré-jogo, à beira do campo, Cuca disse à reportagem do SporTV que esperava, com Sasha e Gabriel juntos, "um time de muita movimentação pelo meio". Foi exatamente o que aconteceu.

E aqui é importante ressaltar: sem um camisa 9 de referência na área, daqueles que gostam e sabem jogar de costas para o zagueiro, Cuca resolveu o problema com criatividade, usando as peças do elenco. Sasha e Gabriel deitaram sobre os zagueiros do Vasco, que demorou pelo menos 15 minutos para entender o que estava acontecendo. Quando isso aconteceu, já estava 1 a 0 para o Santos.

Empurrado por mais de 20 mil torcedores, o Vasco pressionou, mas esbarrou no sistema de marcação do Santos, que, sem a bola, se fechava em duas linhas de quatro, com Sánchez pela direita, Rodrygo pela esquerda e Alison e Pituca impecáveis no centro.

Nem parecia que o Santos estava com a zaga reserva – Luiz Felipe e Lucas Veríssimo, machucados, deram lugar a Gustavo Henrique e Robson Bambu, que jogaram demais, anulando Maxi López, que terminou o jogo sem uma finalização perigosa. É nó tático que chama, né?

Com a bola nos pés, o Santos saía para jogar, com triangulações e jogadas de ultrapassagem. É impressionante a evolução do time em um mês com Cuca. Aquele Santos triste, modorrento, ficou no passado. Impossível não especular se o futuro da equipe não seria ainda melhor se a mudança de Jair Ventura por Cuca tivesse acontecido antes da Copa do Mundo.

E, claro, se Carlos Sánchez tivesse chegado antes. O que esse uruguaio joga é uma enormidade. Tem 33 anos, duas Copas do Mundo no currículo, título de Libertadores pelo River Plate, já foi eleito o melhor jogador do continente (em 2015)... Lê o jogo como poucos, ocupando uma faixa enorme do campo, brigando por cada bola e chegando com qualidade no ataque. Deu uma assistência para Gabigol e quase deixou o seu, de cabeça. Saiu esgotado, após uma das semanas mais difíceis de sua carreira, por se ver no olho do furacão com a punição da Conmebol ao Santos por sua escalação no primeiro jogo contra o Independiente. Aqui, há de se reconhecer o acerto da diretoria. Carlos Sánchez, até agora, tem se mostrado o melhor reforço da última janela de transferências no futebol brasileiro.

E Gabigol?
Merece um bloco à parte, claro. Ele é apenas o sétimo jogador a fazer três gols num jogo no Novo Maracanã (clique aqui para ver a lista) e só não fez o quarto no fim porque enfeitou uma jogada que não precisava.

Com os três gols sobre o Vasco, Gabriel chegou a dez no Brasileirão, igualando-se a Pedro, do Fluminense, na artilharia. Seis desses dez gols foram no último mês, já com Cuca no comando. Não é coincidência.

O técnico demorou dois jogos para perceber que não adiantava manter Gabriel como centroavante. Chegou a deixá-lo no banco durante o primeiro tempo de um empate contra o Ceará. Depois disso, Gabigol voltou diferente, mais participativo. E com uma função diferente.

Gabigol já não se propõe mais a tentar receber a bola de costas para o zagueiro. Sorte dele e da torcida do Santos, que não aguentava mais vê-lo ser desarmado com facilidade nessas circunstâncias. O jogo de Gabigol é outro. O camisa 10 do Santos precisa se movimentar para tentar receber de lado (ainda que jogando centralizado), entre as linhas de marcação. Se ficar parado, é presa fácil para os beques.

Contra o Vasco, Gabriel teve a ajuda de Eduardo Sasha, também centralizado, ambos com a missão de se movimentar para confundir a defesa do Vasco. Deu certo, por mérito deles.

Contra o Independiente, no Pacaembu, Cuca já havia testado esse sistema, primeiro com Bruno Henrique e então com Rodrygo (ainda no primeiro tempo). Não deu certo porque nenhum desses dois tem a inteligência tática e a movimentação de Eduardo Sasha – Rodrygo é um craque com a bola nos pés, mas, aos 17 anos, ainda tem muito a evoluir taticamente, e Bruno Henrique... bom, se alguém ainda tinha dúvidas de que Bruno Henrique estava fazendo hora extra no time titular, os 3 a 0 sobre o Vasco acabaram com qualquer incerteza (e ainda tem Derlis González, entrando sempe bem).

O Santos de Cuca, Gabigol e Carlos Sánchez tem um enorme teste pela frente na próxima quinta-feira, contra o Grêmio, no Pacaembu. Depois de vitórias contra Sport, Bahia e Vasco, um sucesso diante do atual campeão da Libertadores comprovaria que o Peixe tem fôlego para buscar uma vaga no torneio continental do ano que vem. Atualmente, são oito pontos atrás do Atlético-MG, sexto colocado, mas o Santos ainda tem um jogo a menos (contra o Vasco, no Pacaembu, no dia 27).

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