Com R$ 420 milhões em dívidas, Santos acaba com concentração
Decisão tomada pelo presidente desagrada Jair Ventura. Companheiros de diretoria não concordam com Peres. O clima é tenso
O artigo 7º, da Lei nº 6.354/76, dispõe que "o atleta será obrigado a concentrar-se, se convier ao empregador, por prazo não superior a 3 (três) dias por semana, desde que esteja programada qualquer competição amistosa ou oficial, e ficar à disposição do empregado quando da realização de competição fora da localidade onde tenha sua sede."
A concentração está na lei trabalhista brasileira.
E não dá o direito ao atleta cobrar horas extras.
A prática de enclausurar os elencos antes dos jogos veio da Europa. Para evitar as farras dos solteiros e as dificuldades dos casados, como brigas com esposas, crianças acordando de madrugada. Os países de regimes mais totalitários como a ex União Soviética, Iugoslávia utilizavam a concentração para as Olimpíadas. E o método foi se consolidando no Velho Continente. E acabou adotada no Brasil.
Jair Ventura. Irritação pelo presidente do Santos decidir abolir a concentração
Agif
O artigo 7º, da Lei nº 6.354/76, dispõe que "o atleta será obrigado a concentrar-se, se convier ao empregador, por prazo não superior a 3 (três) dias por semana, desde que esteja programada qualquer competição amistosa ou oficial, e ficar à disposição do empregado quando da realização de competição fora da localidade onde tenha sua sede."
A concentração está na lei trabalhista brasileira.
E não dá o direito ao atleta cobrar horas extras.
A prática de enclausurar os elencos antes dos jogos veio da Europa. Para evitar as farras dos solteiros e as dificuldades dos casados, como brigas com esposas, crianças acordando de madrugada. Os países de regimes mais totalitários como a ex União Soviética, Iugoslávia utilizavam a concentração para as Olimpíadas. E o método foi se consolidando no Velho Continente. E acabou adotada no Brasil.
Jogadores intelectualmente preparados, como os médicos Afonsinho e Sócrates, fizeram campanhas nas décadas de 70 e 80 para o fim da concentração. Ambos garantiam que era uma violência dos clubes. E que os jogadores eram adultos e sabiam como se portar. Não precisavam ficar trancados a sete chaves.
E Sócrates fez valer o fim da concentração para os casados no Parque São Jorge, durante a famosa Democracia Corintiana, quando o presidente Walter Pires permitia que os jogadores tomassem as decisões no futebol do clube. O movimento durou entre 1982 e 1984.
Renato Gaúcho foi pego na volta de uma fuga da concentração em Belo Horizonte. Ele foi cortado da Seleção Brasileira que foi ao Mundial de 1986. Leandro, em solidariedade, já que estava com o atacante, decidiu não ir para a Copa. Foi também cortado.
Romário, Serginho Chulapa, Marcelinho Carioca, Neto, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno foram alguns dos jogadores especialistas em fugir da concentração. Romário e Ronaldinho muitas vezes nem precisavam escapar. Mulheres os visitavam nos hotéis. Muitas vezes com os olhares coniventes dos dirigentes, para não desagradar suas estrelas.
Com a recessão que o país está mergulhado nos últimos anos, a concentração foi perdendo força. Principalmente nos clubes pequenos. Por uma questão de economia. Para não pagar hotel e alimentação por oito dias por mês, média de quatro partidas, em casa, resolveram liberar seus atletas. Buscando sobreviver.
A CBF registrava 783 clubes profissionais em 2009. Em 2015, o número caiu para 776 clubes. Em 2016, menos dez clubes. Mas, em 2017, esse o número diminuiu mais ainda 722.
O Santos não está ameaçado de desaparecer. Se fosse uma empresa normal, talvez. Afinal, são R$ 420 milhões em dívidas. Em 2017, suas dívidas bateram nos R$ 258 milhões. As contas do ex-presidente Modesto Roma não foram aceitas pelo Conselho Deliberativo do clube. Em 2015 e 2017. Ele corre o risco de ter de ser expulso do clube e ainda responder processo na Justiça pelos gastos.
O presidente José Carlos Peres tem apelado para seus assessores. Quer ideias para economizar. E uma delas que foi aceita já provoca muita polêmica.
Por uma questão de economia, o clube resolveu abolir a concentração em jogos como mandante. Não vai mais pagar hotel e alimentação para seu elenco dois dias antes das partidas. Só manterá a concentração nas partidas fora de casa, porque não há como evitar. Até porque a CBF paga os võos e a hospedagem do elenco.
O treinador Jair Ventura não gostou da determinação. Muito pelo contrário. Até porque ele não foi sequer consultado antes da decisão. Foi apenas avisado.
Jornalistas que vão todos os dias à Vila Belmiro garantem: Jair está revoltado. E vai tentar fazer o máximo para que Peres volte atrás. O técnico é muito rigoroso quanto à alimentação, o sono, o descanso de seus jogadores.
Ainda mais com ele sabendo da limitação técnica do elenco santista. Para a tradição santista, bicampeã mundial, equipe que lançou Pelé e Neymar para o mundo, o time é muito fraco.
Assessores de Peres tentam espalhar a notícia que o fim da concentração é uma evolução. Cópia, por exemplo, do que o Barcelona faz em jogos nos seus domínios. É mostrar que os jogadores têm responsabilidade. Apelam para a época de Pelé, quando o time também não concentrava e colecionava títulos.
A previsão é que o Santos acabe economizando entre R$ 300 mil e R$ 400 mil mensais.
Para Jair Ventura, esse dinheiro a menos que o clube gastará poderá atrapalhar demais o seu trabalho. Ele não terá o menor controle de um elenco formado por vários jovens da base.
Nem no Botafogo, clube que convive com dívidas de mais de R$ 750 milhões, o treinador viu a concentração ser extinta.
O técnico não concorda com a medida.
Mas Peres diz a conselheiros que ele é o presidente.
O treinador é um funcionário do clube.
Deve acatar a hierarquia.
O vice Orlando Rollo já percebeu a possibilidade de choque.
E tentará intervir.
Fazer com que Peres desista da ideia.
Assessores do presidente espalham aos jornalistas.
O Santos precisará pagar R$ 195 milhões a curto prazo.
E economizar virou prioridade.
Jair Ventura terá de se adaptar.
Ou pensar em outro clube para trabalhar.
A prática já começa no jogo contra o Ceará, amanhã.
Os jogadores deverão chegar depois do almoço à Vila Belmiro.
À tarde, o ônibus os levarão para o Pacaembu...
Decisão tomada pelo presidente desagrada Jair Ventura. Companheiros de diretoria não concordam com Peres. O clima é tenso
O artigo 7º, da Lei nº 6.354/76, dispõe que "o atleta será obrigado a concentrar-se, se convier ao empregador, por prazo não superior a 3 (três) dias por semana, desde que esteja programada qualquer competição amistosa ou oficial, e ficar à disposição do empregado quando da realização de competição fora da localidade onde tenha sua sede."
A concentração está na lei trabalhista brasileira.
E não dá o direito ao atleta cobrar horas extras.
A prática de enclausurar os elencos antes dos jogos veio da Europa. Para evitar as farras dos solteiros e as dificuldades dos casados, como brigas com esposas, crianças acordando de madrugada. Os países de regimes mais totalitários como a ex União Soviética, Iugoslávia utilizavam a concentração para as Olimpíadas. E o método foi se consolidando no Velho Continente. E acabou adotada no Brasil.
Jair Ventura. Irritação pelo presidente do Santos decidir abolir a concentração
Agif
O artigo 7º, da Lei nº 6.354/76, dispõe que "o atleta será obrigado a concentrar-se, se convier ao empregador, por prazo não superior a 3 (três) dias por semana, desde que esteja programada qualquer competição amistosa ou oficial, e ficar à disposição do empregado quando da realização de competição fora da localidade onde tenha sua sede."
A concentração está na lei trabalhista brasileira.
E não dá o direito ao atleta cobrar horas extras.
A prática de enclausurar os elencos antes dos jogos veio da Europa. Para evitar as farras dos solteiros e as dificuldades dos casados, como brigas com esposas, crianças acordando de madrugada. Os países de regimes mais totalitários como a ex União Soviética, Iugoslávia utilizavam a concentração para as Olimpíadas. E o método foi se consolidando no Velho Continente. E acabou adotada no Brasil.
Jogadores intelectualmente preparados, como os médicos Afonsinho e Sócrates, fizeram campanhas nas décadas de 70 e 80 para o fim da concentração. Ambos garantiam que era uma violência dos clubes. E que os jogadores eram adultos e sabiam como se portar. Não precisavam ficar trancados a sete chaves.
E Sócrates fez valer o fim da concentração para os casados no Parque São Jorge, durante a famosa Democracia Corintiana, quando o presidente Walter Pires permitia que os jogadores tomassem as decisões no futebol do clube. O movimento durou entre 1982 e 1984.
Renato Gaúcho foi pego na volta de uma fuga da concentração em Belo Horizonte. Ele foi cortado da Seleção Brasileira que foi ao Mundial de 1986. Leandro, em solidariedade, já que estava com o atacante, decidiu não ir para a Copa. Foi também cortado.
Romário, Serginho Chulapa, Marcelinho Carioca, Neto, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno foram alguns dos jogadores especialistas em fugir da concentração. Romário e Ronaldinho muitas vezes nem precisavam escapar. Mulheres os visitavam nos hotéis. Muitas vezes com os olhares coniventes dos dirigentes, para não desagradar suas estrelas.
Com a recessão que o país está mergulhado nos últimos anos, a concentração foi perdendo força. Principalmente nos clubes pequenos. Por uma questão de economia. Para não pagar hotel e alimentação por oito dias por mês, média de quatro partidas, em casa, resolveram liberar seus atletas. Buscando sobreviver.
A CBF registrava 783 clubes profissionais em 2009. Em 2015, o número caiu para 776 clubes. Em 2016, menos dez clubes. Mas, em 2017, esse o número diminuiu mais ainda 722.
O Santos não está ameaçado de desaparecer. Se fosse uma empresa normal, talvez. Afinal, são R$ 420 milhões em dívidas. Em 2017, suas dívidas bateram nos R$ 258 milhões. As contas do ex-presidente Modesto Roma não foram aceitas pelo Conselho Deliberativo do clube. Em 2015 e 2017. Ele corre o risco de ter de ser expulso do clube e ainda responder processo na Justiça pelos gastos.
O presidente José Carlos Peres tem apelado para seus assessores. Quer ideias para economizar. E uma delas que foi aceita já provoca muita polêmica.
Por uma questão de economia, o clube resolveu abolir a concentração em jogos como mandante. Não vai mais pagar hotel e alimentação para seu elenco dois dias antes das partidas. Só manterá a concentração nas partidas fora de casa, porque não há como evitar. Até porque a CBF paga os võos e a hospedagem do elenco.
O treinador Jair Ventura não gostou da determinação. Muito pelo contrário. Até porque ele não foi sequer consultado antes da decisão. Foi apenas avisado.
Jornalistas que vão todos os dias à Vila Belmiro garantem: Jair está revoltado. E vai tentar fazer o máximo para que Peres volte atrás. O técnico é muito rigoroso quanto à alimentação, o sono, o descanso de seus jogadores.
Ainda mais com ele sabendo da limitação técnica do elenco santista. Para a tradição santista, bicampeã mundial, equipe que lançou Pelé e Neymar para o mundo, o time é muito fraco.
Assessores de Peres tentam espalhar a notícia que o fim da concentração é uma evolução. Cópia, por exemplo, do que o Barcelona faz em jogos nos seus domínios. É mostrar que os jogadores têm responsabilidade. Apelam para a época de Pelé, quando o time também não concentrava e colecionava títulos.
A previsão é que o Santos acabe economizando entre R$ 300 mil e R$ 400 mil mensais.
Para Jair Ventura, esse dinheiro a menos que o clube gastará poderá atrapalhar demais o seu trabalho. Ele não terá o menor controle de um elenco formado por vários jovens da base.
Nem no Botafogo, clube que convive com dívidas de mais de R$ 750 milhões, o treinador viu a concentração ser extinta.
O técnico não concorda com a medida.
Mas Peres diz a conselheiros que ele é o presidente.
O treinador é um funcionário do clube.
Deve acatar a hierarquia.
O vice Orlando Rollo já percebeu a possibilidade de choque.
E tentará intervir.
Fazer com que Peres desista da ideia.
Assessores do presidente espalham aos jornalistas.
O Santos precisará pagar R$ 195 milhões a curto prazo.
E economizar virou prioridade.
Jair Ventura terá de se adaptar.
Ou pensar em outro clube para trabalhar.
A prática já começa no jogo contra o Ceará, amanhã.
Os jogadores deverão chegar depois do almoço à Vila Belmiro.
À tarde, o ônibus os levarão para o Pacaembu...
