06/02/2017 - 10:30
Dorival pede aprovação da Lei Caio Júnior: "O futebol brasileiro precisa"
Técnico mais longevo da Série A é vice-presidente da Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol e busca regulamentação da profissão no Brasil
Dorival Júnior, Santos (Foto: Ivan Storti/Santos FC)Dorival Júnior é um dos incentivadores da Lei Caio Júnior (Foto: Ivan Storti/Santos FC)
No Santos desde julho de 2015, Dorival Júnior é o técnico mais longevo da Série A do Campeonato Brasileiro. Mas enquanto outros profissionais não tiverem a mesma estabilidade, não há muito o que comemorar.
O comandante santista é vice-presidente da Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol (FBTF), criada em agosto de 2013 para buscar a regulamentação da profissão no futebol brasileiro. O projeto de lei 7560/2014, proposto pelo deputado José Rocha, do PR-BA, ganhou o nome de Caio Júnior, técnico da Chapecoense, um dos fundadores da federação e vítima da queda do avião na Colômbia, em 2016.
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O projeto passa por algumas correções na Comissão de Tecnologia e será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça na sequência. Se aprovado, vai para votação na Câmara dos Deputados.
– Nossa intenção é regulamentar a profissão, oferecendo segurança para os profissionais de todas as divisões. Com a procura por direitos e de um tempo mínimo à frente de um clube de futebol, sem ficar pulando de galho em galho. Perto de 70% dos treinadores do país, por exemplo, não têm carteira assinada. Isso é inconcebível em um país que ama tanto o futebol. Nós ficamos para trás – disse Dorival Júnior em entrevista ao GloboEsporte.com.
O objetivo da FBTF é que os profissionais brasileiros tenham onde se capacitar, com cursos específicos e acessíveis para a função e não apenas a Educação Física em universidades como opção.
– É um projeto de reestruturação do futebol. O futebol brasileiro precisa. Qualquer pessoa hoje, sem que tenha o mínimo de preparo, pode ser treinador de futebol. Gostaríamos de corrigir isso. Queremos ajuda da CBF para ministrar cursos em todo país, e não só nos grandes estados Nossa ideia é levar o conhecimento por intermédio dos institutos federais. Toda capital tem, no mínimo, um. Assim, ninguém precisa se deslocar do Amazonas para o Rio de Janeiro, por exemplo, e pagar valores absurdos de viagem, estadia, além dos custos do próprio curso – explicou.
É um projeto de reestruturação. O futebol brasileiro precisa. Qualquer pessoa hoje, sem que tenha o mínimo de preparo, pode ser treinador de futebol. Gostaríamos de corrigir isso.
Dorival Júnior
– Para ex-jogadores reconhecidos como Rogério Ceni e Elano, é mais fácil. Mas pensamos na maioria que fica no meio do caminho. Nosso pensamento é do ex-profissional cumprindo carga de estudos menor, já que possui a vivência, e os que não trabalharam no futebol com um número um pouco maior de aulas e experiências na prática, como estágios. Os cursos seriam reconhecidos pelo Ministério da Educação, CBF, Conmebol e UEFA, com capacitação completa e a possibilidade de vivenciar a profissão em qualquer clube do mundo. Hoje, do jeito que está, o treinador brasileiro precisa sair do Brasil para estudar, obter a licença e trabalhar no exterior – completou.
Uma das dificuldades para que a Lei Caio Júnior vingue é o lobby do Conselho Regional de Educação Física (Cref), em Brasília, para que o futuro treinador só exerça a profissão com o diploma de educador físico.
– Encontramos algumas dificuldades com o Cref porque estão colocando como exigência a formação de Educação Física. Estamos tentando mostrar à diretoria que não é necessário. A profissão de treinador não precisa estar vinculada à de preparador físico. É importante, eu tenho a formação, mas tive 40 horas de aula de futebol. É muito pouco. Me deu sustentação nenhuma. Nem para dirigir um clube social. Treinador precisa abranger outras áreas diferentes do preparador físico.
