A passagem do argentino pelo Santos durou apenas um ano, mas foi repleta de pedidos por reforços — alguns que ele mesmo não utilizou. Ele exigiu a contratação do peruano Christian Cueva, mas com apenas 16 jogos — e muitos problemas de comportamento, é verdade — o argentino encostou o meia. O clube paulista investiu R$ 27 milhões no jogador.
Ele também pediu o centroavante Uribe, que custou R$ 5 milhões, mas parou de utilizar o colombiano após apenas 11 partidas. Os dois acionaram a Justiça para sair do clube, que não teve retorno algum pelos R$ 32 milhões gastos na dupla.
O Peixe, que já vivia situação financeira delicada antes da chegada de Sampaoli, se afundou ainda mais em dívidas, utilizando os R$ 172 milhões arrecadados com a venda de Rodrygo ao Real Madrid (ESP). O dinheiro que poderia pagar dívidas foi gasto em atletas e, agora, o clube está perto de completar um ano proibido pela Fifa de fazer contratações por causa das pendências financeiras.
Um dos motivos para a eloquência de Sampaoli ao pedir reforços é seu esquema tático peculiar, marcado pela ofensividade permanente. Para executá-lo, Sampaoli pede jogadores com características específicas, desprezando muitos que já estão no elenco.
No Santos, colocou o goleiro Vanderlei no banco e conseguiu a contratação de Everson, que sabe jogar com os pés. Liberou Eduardo Sasha para buscar outro clube, afirmando que o atleta não possuía "definição esportiva". Mas o atacante ficou, ganhou a confiança do comandante e terminou 2019 como vice-artilheiro da equipe. Sasha e Everson foram pedidos de Sampaoli na sua mudança para o Atletico-MG.
O argentino preza pela posse de bola e pelo "perde-pressiona", cobrando que a equipe faça uma espécie de blitz assim que perde a bola para recuperá-la rapidamente. Os extremos costumam jogar colados nas linhas, enquanto os laterais constroem por dentro. O resultado é um volume grande de chances criadas na maioria dos jogos.
Mas quando o esquema naufraga, os resultados são goleadas históricas. O Santos que o diga: perdeu para o Ituano por 5 a 1 e para o Botafogo-SP por 4 a 0, ambos no Paulista de 2019, além de ser derrotado por 4 a 0 pelo Palmeiras no Brasileirão daquele ano
Ávido por contratações, Sampaoli faz exigências que beiram à loucura no futebol brasileiro. Se os dirigentes não aceitam os pedidos, o treinador ameaça deixar o clube e cria um ambiente de dúvidas. A reportagem ouviu relatos assim no Santos
Entre dezembro de 2018 e o fim de 2019, a diretoria do Peixe gastou quase R$ 70 milhões em 14 contratações e se endividou ainda mais para agradar o treinador. Além disso, já em um cenário de discórdia com o então presidente José Carlos Peres, Sampaoli exigiu que outros R$ 100 milhões em aquisições fossem gastos para a disputa da Copa Libertadores. O pedido — absurdo para a realidade da maioria dos times brasileiros e principalmente do Santos naquele momento — não foi aceito, deixando o treinador mais perto de sair da Vila.
a passagem do argentino pelo Santos foi marcada por discussões públicas com o então presidente José Carlos Peres e uma ação na Justiça, em que o treinador cobra R$ 4 milhões em verbas trabalhistas.
Seus críticos o definem como "intransigente", "arrogante" e "cheio de si", e talvez, por essas características, o treinador frequentemente se envolva em polêmica com dirigentes. Há um padrão ao longo de sua carreira como técnico: chega ovacionado e deixa o clube em meio a atritos e indisposição com cartolas. No Santos, a história não foi diferente.
Em resumo, o treinador é como um vulcão ativo: impressionante, potente, poderoso e que pode entrar em erupção a qualquer momento. Como bom latino, o argentino causa uma mistura de sensações, que vão desde o amor até a raiva. Basicamente: "ame-o ou deixe-o".
Contratações a pedidos do Sampaoli
Cueva 27 Milhões
Uribe 5 Milhões
Everson 4 Milhões
Soteldo 13 Milhões
Felipe Aguilar 4 Milhões
Felipe Jonatan 6 Milhões
Marinho 5 Milhões
Luan Peres 1 Milhão
Lívia Tufi
Fonte UOL ESPORTE





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