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Lotado em decisões, Pacaembu "ignora" deficit e brilha na 'era das Arenas'

Diego Salgado
Do UOL, em São Paulo 11/04/2017 - 04h00
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Junior Lago/UOL

Pacaembu pode receber a final do Campeonato Paulista 2017
O Pacaembu voltou a reviver aos tempos áureos nos últimos dias ao receber mais de 60 mil torcedores em duas decisões. Se as partidas que colocaram Palmeiras e Ponte Preta na semifinal do Campeonato Paulista representam pouco para o desafio de manter as contas no azul, pouco importa. Com arquibancadas lotadas e muita festa, o estádio brilhou em tempos de disputa quase desleal com estádios privados e mais novos, como Arena Corinthians e o Allianz Parque.

Na última sexta-feira, o estádio municipal recebeu 29.145 torcedores, que assistiram à vitória do Palmeiras por 3 a 0 sobre o Novorizontino. Nesta segunda-feira, pouco mais de 37 mil acompanharam a classificação da Ponte Preta contra o Santos nos pênaltis. São situações raras para o estádio, que perdeu espaço na agenda dos clubes paulistas especialmente depois que Corinthians e Palmeiras fiinalizaram as obras de suas novas casas.

Nos primeiros cem dias de 2017, o Pacaembu recebeu só três partidas de futebol profissional - além dos duelos das quartas de final do estadual, o estádio abrigou o confronto Red Bull x Santos, válido pela primeira fase. O local ainda pode ser palco da final do Campeonato Paulista, caso o Palmeiras dispute o título com a melhor campanha da competição, já que o Allianz Parque receberá um show em data próxima e não poderá ser utilizado..

"Conservar patrimônio histórico é deficit?"
No ano passado, a essa altura do calendário, o Pacaembu já havia recebido 14 jogos. Apesar do número elevado na comparação com a atual temporada, o estádio ainda assim fechou em déficit de quase R$ 4 milhões.
As receitas incluem o aluguel do estádio em 23 jogos disputados ao longo de 2016 e a locação com outros espaços do complexo. Os valores chegaram a R$ 1,2 milhão e R$ 3 milhões, respectivamente. Em contrapartida, a manutenção anual do Pacaembu bateu R$ 8 milhões.

Divulgação/CBRU

Pacaembu já recebeu partidas de rúgbi
Em contato com a reportagem do UOL Esporte, a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer minimizou o problema vivido pelo Pacaembu depois da construção da Arena Corinthians e do Allianz Parque, inaugurados em 2014.

"O Estádio do Pacaembu é um equipamento esportivo público, sem fins lucrativos. Não entendemos a lógica de déficit como aplicável. Ou ao menos nos parece injusto fazer uma conta simples para avaliar a efetividade, a importância histórica e os benefícios diretos e indiretos que o Pacaembu gera ao seu público de 12 mil paulistanos associados", disse.

"O Pacaembu é um estádio, mas também é um clube poliesportivo público, um patrimônio histórico, um ponto turístico. Conservar patrimônio histórico é deficit? Oferecer programas de atividade física e esporte é deficit? Manter vivo, limpo e apresentável um ponto turístico da capital é deficit? Ou tudo isso é investimento e precisa de métodos de avaliação menos simplistas?", continuou.

Nem todo mundo do poder público, diga-se, pensa assim. No fim do ano passado, dias antes de assumir a prefeitura de São Paulo, João Doria comentou o assunto e levantou a hipótese de o Pacaembu ser concedido à iniciativa privada. Nesse caso, segundo o tucano, um clube faria a gestão esportiva.

"(O clube) deve ser um sócio de um consórcio de uma ou mais empresas que assumirão a responsabilidade de gestão de investimento do Pacaembu", disse Doria em entrevista à Rádio Jovem Pan, referindo-se ao Santos. A hipótese já foi tentada em outras gestões da Prefeitura, inclusive a de Fernando Haddad, mas nenhum dos quatro grandes jamais topou o desafio.

Em 2012, estádio recebeu 62 jogos
Sem as arenas multiúsos e durante a reforma do Palestra Itália entre 2010 e 2014, o Pacaembu chegou a ser a palco de duas finais da Libertadores, com Santos (2011) e Corinthians (2012), além das decisões de Recopa e P

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